AHMED, DA CORPORAÇÃO DOS LADRÕES

 

 

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

 

 

Introdução e Objetivo do Estudo

 

 

Este estudo objetiva disponibilizar para reflexão uma pequena compilação de fragmentos, alguns muito interessantes, pitorescos e insólitos, selecionados na obra Ahmed, da Corporação dos Ladrões, de autoria de Raymond Bernard. Alguns fragmentos foram didaticamente editados, mas, não alterei nem distorci o sentido do que Raymond Bernard quis transmitir. Dou pitaco, mas, não faço xaveco.

 

 

Breve Biografia

 

 

Raymond Bernard

 

 

Raymond Bernard, humanista, pensador místico, homem de letras e perpetuador das grandes tradições ocidentais, nasceu no dia 19 de maio de 1923, na região de Isère, na França. Formou-se em Direito pela Faculdade de Grenoble, e, desde cedo, ligou-se ao Misticismo Iniciático e à Tradição. Como Alto Iniciado, desempenhou diversas atividades da mais elevada relevância e da mais superlativa responsabilidade em vários cargos oficiais no âmbito de Fraternidades e Ordens Místicas, particularmente na Ordem Rosacruz – AMORC e na Ordem Soberana do Templo Iniciático – OSTI, da qual, nesta última, foi fundador e primeiro Grão-Mestre. Com o passar do tempo, Bernard decidiu delegar suas funções para os mais jovens, afastando-se de todas as atividades públicas. Ao lado da dedicada esposa Yvone e após ter dedicado seus dias ao estudo e à meditação, fez sua Grande Iniciação no dia 10 de janeiro de 2007.

 

 

Fragmentos da Obra

 

 

Um dos aprendizes de Chi, o ladrão, fez-lhe a seguinte pergunta: Pode-se encontrar a Lei na vida de ladrão?

Chi, o ladrão, respondeu: Cite-me, então, alguma coisa que não obedeça à Lei? Há a inteligência, que sabe onde encontrar o que roubar, a coragem de entrar primeiro, o heroísmo, que consiste em sair por último, a aptidão, para calcular as possibilidades de sucesso, a justiça na partilha dos benefícios. Nenhum bandido importante deixou de possuir essas cinco qualidades. [Chuang-Tzu, apud Raymond Bernard.]

 

As aparências de um mundo supostamente civilizado dissimulam sempre aspectos insólitos, em que o homem se reconhece tal como nele próprio, aplicando-se isso tanto ao domínio da transcendência quanto às insignificantes peripécias da existência cotidiana.

 

Freqüentemente, sigo desconhecidos, sob o único pretexto de que eles têm alguma coisa a me ensinar ou a me revelar.

 

Esse sapo-boi aí em cima só pode ter aprendido
a (per)seguir os outros com o Raymond Bernard!

 

Reverenciarei minha inocência a vida inteira, e da qual não gostaria de me ver privado por coisa alguma neste mundo. [Eu também!]

 

O que poderá existir que seja mais inocente do que uma rosa?

 

Inocente, eu acreditei.
Acreditei, e me dei mal.
Ele – um falseador da Lei;
eu – de nascença, factual.
Mas, inocente continuarei,
coisa e loisa et cetera e tal!

 

Voto uma sólida confiança a todos os seres. [Eu também!]

 

 

Há uma certeza nascida do conhecimento adquirido pela Iniciação [que jamais será perdida].

 

À Humanidade foi conferido o poder de edificar seu próprio destino e de dirigir cada circunstância à sua vontade, contanto que ela aceite assumir as conseqüências, boas ou não, segundo as Leis Uni[multi]versais às quais ela está submetida. Se for assim, uma atitude positiva conduzirá, sempre e invariavelmente, a resultados de idêntica natureza.

 

A regra, creio, é: estar sempre pronto para receber, não para si mesmo, mas, para outrem.

 

Unimultifraternidade = Amor + Altruísmo + Serviço + Solidariedade + Misericórdia + ...

 

A juventude atual tem por missão construir um novo Uni[multi]verso, maior, mais belo, mais fraterno. E o impulso generoso de que ela é portadora encontrará amanhã plena possibilidade de se manifestar.

 

A sociedade atual é profundamente egoísta e materialista, porém, pretensamente civilizada. Entretanto, o futuro a julgará severamente, depois de tê-la ultrapassado.

 

                     

 

Em última análise, o que há de verdadeiro é apenas o homem em sua integralidade física e espiritual, com suas tendências, quaisquer que sejam elas, e com suas particularidades individuais, que é preciso levar em consideração, e que os outros, com fraternidade e compreensão, devem aceitar, já que elas constituem o arcabouço de que se dispõe para a obra grandiosa de uma evolução inelutável. [O homem é a medida de todas as coisas; das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são. (Protágoras de Abdera, cerca de 490 a.C. – Sicília, cerca de 415 a.C.).]

 

Gráfico Animado Simbólico

 

Tudo, em nossa Terra, é relatividade.

 

Sugiro [que não é nome de japonês] aos ladrões que se esforcem por estar em dia com as propinas que entregam a... digamos aqueles que os vigiam, já que, em caso de azar, seu grau do culpa estará em função dessa regularidade.

 

Por que o roubo não seria uma esmola forçada, nos países em que a esmola é uma lei religiosa? O raciocínio é o seguinte: nesse caso, a Corporação dos Ladrões ajudaria o roubado a atingir mais seguramente seu paraíso, graças às esmolas que, de outra forma, ele não teria dado!

 

Fui considerado membro honorário da Corporação dos Ladrões de Marraquexe. Mas, não se preocupem! Não assumi o compromisso de roubar nem em Marraquexe nem em outro lugar e, como caso extremo, meu estatuto de ladrão honorário tem como única conseqüência útil, admito-o não poder eu próprio lá ser roubado. Na falta de esmola forçada, tenho, assim mesmo, o consolo de ganhar, espero, meu paraíso de outra maneira...

 

Tenho o hábito de suprir pela imaginação o que o ouvido não percebe ou não pode compreender. E, em Marraquexe [conhecida como a Cidade Vermelha, a Pérola do Sul ou a Porta do Sul], misturado à multidão, me confundo com ela.

 

Uma característica do mundo do Islã é a hospitalidade. Com uma intuição prodigiosa, os árabes sabem imediatamente quem os ama com dignidade e quem vem a eles como amigo, mesmo curioso. Eles têm horror do servilismo e respeitam a nobreza de atitude e de caráter, mas, não admitem arrogância, mesmo que a suportem com uma aparente complacência.

 

A Ordem Rosacruz A.M.O.R.C, responde, enfim, à aspiração verdadeira do buscador, depois de um andar por perigosos caminhos. Onde quer que esteja, o Rosacruz está certo de que pode encontrar outros Rosacruzes. A família que constitui a Ordem Rosacruz AMORC
cobre o mundo e, em país algum, um Rosacruz se considera estrangeiro. Irmãos e irmãs o esperam, e sua acolhida, seja em que continente for, é marcada pelo selo de uma fraternidade ativa.

 

Nunca é demais insistir: o acaso não existe.

 

O tempo nunca falta disseram-me um dia na Jordânia. Ele está aí para que se o tome. [O tempo, na realidade, o Continuum Espaço-tempo, é uma das milhares de miralusões (miragens + ilusões) do Unimultiverso, que, em si, é uma miralusão. Ora, se nunca houve começo e se nunca haverá fim, como o tempo poderá existir? Os relógios (assim como as redes sociais) não são menos do que medonhas prisões! A Humanidade, hoje, está encarcerada nas redes sociais, e não se dá conta.]

 

Animação Simbólica

 

No Marrocos, ninguém infringe a sagrada lei da hospitalidade.

 

Ladrões que matam são assassinos, e não ladrões. Os verdadeiros ladrões não são assassinos.

 

Os seres se assemelham. Todos são homens, com suas qualidades e seus defeitos.

 

Para se tornar um ladrão Confraria dos Ladrões de Marraquexe, é preciso provar sua habilidade; é preciso querer ser ladrão.

 

Um ladrão honesto deixará sua atividade, desde que encontre um trabalho que lhe dê tanto quanto a profissão de ladrão!

 

Na Confraria dos Ladrões de Marraquexe, para ser ladrão, é obrigatório ser honesto. E mais: mm ladrão honesto é necessariamente regular!

 

Como afirma a Sabedoria do Corão, a vida é como um relâmpago.

 

Nada neste mundo é inútil. Na base de todas as coisas, há, necessariamente, uma razão. Ordem e método constituem o próprio fundamento do Uni[multi]verso, e esta argumentação se aplica, ao mais alto grau, ao homem que, em sua integralidade física e suprafísica, condensa, em si mesmo, a totalidade das Leis Uni[multi]versais. Não poderia, pois, haver mal em si. [Tudo é bom; tudo tem uma finalidade.] Portanto, o homem deve se esforçar para se tornar um transformador consciente e, por conseguinte, perfeito – [tender para perfeição, que sempre será relativa.] Como coletividade, a Humanidade exprime, ela própria, o conjunto das Leis Uni[multi]versais, cada grupo ou raça tendo sua função e cada indivíduo, no grupo ou raça, tendo sua razão particular de ser, [inclusive o ladrão, o três com goma, o salafra e o cafiola]. [O resultado disto é: Tudo + Todos = 1. Sem exceção. Sem separação. Sem privilégio.]

 

Construindo a Compreensão/Liberdade
[Simbolicamente, é exatamente isto o que cada um de nós e todos
nós estamos fazendo ao longo das nossas sucessivas encarnações.]

 

A título de exemplo, se considerarmos as leis de destruição e de reconstrução, certos seres, coletiva ou individualmente, têm por destino destruir, enquanto outros são encarregados de reconstruir, e aí intervém, naturalmente, a Lei Fundamental de Compensação ou Carma. Cada experiência humana tem um motivo para aquele que passa por ela e para o mundo no qual ele vive. Todo homem pode ser, num momento, destruidor e, em outro, construtor. Ele pode ser um ou outro toda uma existência, mas, num caso e noutro, a razão profunda é seu próprio bem e o bem da Humanidade, como Humanidade, e isso é assim, seja ou não compreensível e perceptível a cada um de nós de imediato.

 

O Uni[multi]verso é uma obra admirável [mais do que admirável, eu diria, inigualável] para quem sabe ver além do instante presente e unicamente das aparências; e cada um de nós deve aprender a não julgar, se não quiser ser julgado com rigor ainda maior.

 

No Uni[multi]verso, nada se manifesta sem uma razão profunda, difícil, às vezes, de ser percebida. [Mas, de jeito maneira, isto significa que devamos ser complacentes, condescendentes ou indulgentes, por exemplo, com o putinicídio ucraniano, com a limpeza étnica bibicida dos palestinos gazenses, com o delírio criminoso de querer transformar a Faixa de Gaza em um resort para milionários, com a mania trumpiana de querer anexar a Groenlândia e o Canadá e com os golpistas traidores da Pátria brasileiros. . Essas coisas são intoleráveis, inaturáveis e insuportáveis.] Seja como for, este mundo de ilusão deve ser aceito por nosso entendimento errôneo, com paciência e humildade, não importa qual seja esse entendimento. [Portanto, por favor, não me venha com essa estroinice de ir morar em Marte! Por enquanto, não. Um dia... Sei lá... Talvez...]

 

Em nossas pesquisas místicas, quanto menos medo tivermos, mais aprenderemos.

 

 

Vivi com medo de ladrão...
Com medo de perder...
Com medo de morrer...
Com medo de mandinga...
Com medo de bicho-papão...
Com medo de demônio...
Com medo do inferno...
Com medo do Lula...
Com medo do Bolsonaro...
Com medo da anaconda...
Com medo do dragão-de-komodo...
Com medo de mim mesmo...
Com medo de tudo...
E não aprendi xongas...

 

Cada um de nós só vê os outros a partir de si mesmo.

 

Animação Simbólica

 

Olhei para o outro
e vi um chato.
O chato era eu!
Olhei para o outro
e vi um morrinha.
O morrinha era eu!
Olhei para o outro
e vi um esquisitão.
O esquisitão era eu!
Olhei para o outro
e vi um diferente.
O diferente era eu!
Olhei para o outro
e vi um profano.
O profano era eu!
Olhei para o outro
e vi um imigrante.
O imigrante era eu!

 

Em Marraquexe, os ladrões da Corporação dos Ladrões não roubam os velhos e os doentes. Tiram apenas daqueles que têm força para tornar a ganhar o que perderam... para ajudar os ladrões a sobreviver!

 

Devemos aprender a pesar todas as situações com os olhos dos outros, não de acordo com as concepções adquiridas pela educação que recebemos.

 

Ignoro o tédio e lamento que certas pessoas possam usar essa palavra. A vida é uma exploração quotidiana, e dois dias consecutivos nunca se parecem. O homem tem o privilégio de agir, de pensar, de organizar sua existência e seu destino – [que, como destino predeterminado, preestabelecido e prefixado não existe]. Se a ação se torna fatigante, uma simples transferência de energia dá ao mental e a seu universo toda a liberdade de expressão. Ele, por sua vez, dará lugar, de bom grado, à fase subconsciente do ser, e novos horizontes se abrirão para mais conhecimento. Essa maravilhosa possibilidade da qual desfruta o homem, isto é, a possibilidade de escolher, quando quer, um ponto de interesse no fluxo de consciência que o atravessa constantemente, essa possibilidade deveria dele afastar esse estado que ele chama tédio, e é verdadeiro o provérbio que diz: "Aborrece-se quem quer."

 

Salústio [Caio Salústio Crispo (em latim: Gaius Salustius Crispus; 86 a.C. – 34 a.C.) foi um dos grandes historiadores e escritores da literatura latina] escreveu: O melhor meio de dominar a Natureza é se submeter a ela. Certamente, se deve acrescentar: dentro dos limites do bom e do justo pitagórico. Seja como for, conhecer-se bem é essencial para o místico. [Na verdade, conhecer-se bem é essencial para qualquer um. Não se conhecer é viver uma vida de merda ou uma merda de vida, o que dá na mesma e na mesma dá.]

 

Vida de Merda ou merda de vida?

 

Basta compreender para ser amado, deixar agir seu Coração, para que bata no ritmo do coração de outrem. Tudo é simples, o milagre é fácil, e todo homem, sendo verdadeiro, pode realizá-lo a cada instante! [Todo mundo já sabe que eu não acredito em milagres. Mas, se, agora, eu tivesse que fazer uma exceção, eu diria que o único milagre unimultiversal é a vida, ou melhor, a chance de podermos encarnar, porque é só desta maneira que nós, todos nós, sairemos da cepa torta em que estamos metidos, que seremos Iniciados, que seremos Illuminados, que Aprenderemos e Compreenderemos, que deixaremos de ser ladrões (de nós mesmos), que nos Libertaremos (de nós mesmos), que Ascensionaremos e que, enfim, nos tornaremos Deuses Conscientes Eternos. Todo isto pode ser simbolizado por um Triângulo, formado pelo Amor, pela Beleza e pela Alegria.]

 

 

 

 

Música de fundo:

As Time Goes By
Composição: Herman Hupfeld
Interpretação: Dooley Wilson (como Sam, no filme Casablanca)

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=d22CiKMPpaY

 

Páginas da Internet consultadas:

https://www.shutterstock.com/pt/

https://iconscout.com/lottie-animations/robber

https://tenor.com/pt-BR/search/walking-shit-show-gifs

https://giphy.com/explore/reflect-in-mirrors-stickers

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https://pt.textstudio.com/word-logos/animated/nao-8719

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Direitos autorais:

As animações, as fotografias digitais e as mídias digitais que reproduzo (por empréstimo) neste texto têm exclusivamente a finalidade de ilustrar e embelezar o trabalho. Neste sentido, os direitos de copyright são exclusivos de seus autores. Entretanto, como nem sempre sei a quem me dirigir para pedir autorização para utilizá-las, se você encontrar algo aqui postado que lhe pertença e desejar que seja removido, por favor, entre em contato e me avise, que retirarei do ar imediatamente.